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Set
09

As boas imagens

Como tirar boas fotos é algo que venho tentando descobrir nos últimos vinte anos…

Ainda não cheguei lá, mas acho que descobri algumas pistas que gostaria de compartilhar. São coisinhas simples (e por isso mesmo difíceis) que independem do equipamento utilizado:

Fotografia não se faz com a câmera, nem com os olhos. A fotografia é feita com o cérebro. Por isso é preciso tornar a fotografia um ato consciente. E nestes tempos de banalização da imagem digital essa tarefa está mais difícil do que nunca. Como fazer da fotografia um ato consciente? O primeiro passo é identificar o que te motiva a fotografar.

1 – Quando você levanta sua câmera e a aponta para uma cena, o que a leva a fazer isso? O que despertou a sua intenção? Uma boa imagem é formada por um elemento principal e por elementos secundários que guiam o olhar do espectador através da perspectiva, molduras, luz, cores, etc. até o elemento principal. Os olhos devem passear pela imagem e sempre voltar ao elemento principal:

Abrigo de montanha no Chacaltaya - Bolívia

Note que nessa imagem a mureta e a borda do penhasco reforçam a perspectiva conduzindo o olhar até o chalé. A área vazia do lado esquerdo da imagem também colabora para que o olhar volte sempre ao chalé.

2 – Fotografar é contar alguma coisa para alguém (mesmo que esse alguém seja você mesma). Tente encontrar uma narrativa dentro da imagem. Na foto a seguir, por exemplo, o prédio que assume o lugar da árvore derrubada provoca uma reflexão no espectador que é reforçada pela escolha do preto e branco.

Parque do Povo - Itaim - São Paulo

3 – Respeite os limites do seu equipamento! Você pode fotografar com qualquer coisa: Até mesmo com uma lata velha de Nescau com um buraquinho (o nome disso é pinhole e é muito divertido!). Mas você acabará frustrada se tentar ir além daquilo que o seu equipamento permite. Em outras palavras: Nada de fotografar passarinho no alto do galho com grande angular!

Mesmo o mais simples dos equipamentos permite explorar um universo imenso. Descubra até onde a sua câmera vai e vá com ela!

4 – Ideal, ideal mesmo, é descobrir primeiro que histórias você quer contar e aí sim encontrar o equipamento certo para te acompanhar nessa jornada. Mas isso é uma coisa que normalmente só se descobre depois de gastar tempo e dinheiro amadurecendo no seu caminho.

 5 – Mexa-se! Abaixe, levante e role no chão se for preciso, mas procure explorar os mais diversos ângulos antes de considerar uma imagem resolvida. A pressa é inimiga da perfeição! As vezes pode ser necessário esperar (segundos, minutos ou até mesmo meses) até encontrar a combinação ideal dos elementos em uma imagem.

Parque do Ibirapuera - São Paulo

Cartier-Bresson defendia a teoria do instante decisivo. A imagem tem o seu momento exato. Tenha paciência e persistência que este instante se revelará a você.


2 Responses to “As boas imagens”


  1. 11/09/2009 às 07:56

    Excelente iniciativa, Fernando! Parabéns e obrigada por dividir.


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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

Imagens do Brasil


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