30
Set
09

Sobre a fotografia e as unhas dos pés

Faz alguns anos, durante um trabalho de levantamento fotográfico de uma área na Serra do Mar para avaliar seu potencial de uso em ecoturismo, passei por um perrengue particularmente doloroso:

 

Travessia do Chaco - Argentina

Uma combinação de meias molhadas, bota apertada e uma unha cortada de forma errada transformaram uma caminhada de poucas horas em um martírio que se estendeu por uma noite inteira. E é claro, as fotografias que eu deveria fazer acabaram ficando para outra ocasião que nunca mais aconteceu.

Ontem eu estava preparando um DVD com imagens para enviar pelo correio para um cliente e esse momento me veio à cabeça. O que uma coisa tem a ver com a outra? Simples: A atenção aos detalhes que pode fazer a diferença entre satisfazer seu cliente ou não. Cuidados simples como usar um envelope com plástico bolha, testar o disco antes do envio e enviar um relatório ao cliente com o número do SEDEX podem evitar incidentes que podem desembocar em acidentes.

Se você parar para pensar acidentes são sempre frutos de uma cadeia de eventos e muitas vezes basta eliminar um único elo dessa cadeia para evitar o transtorno. Mesmo com minha unha mal cortada, se minhas meias estivessem secas ou se o calçado fosse mais adequado muito provavelmente eu teria terminado o serviço.

Em um mundo pasteurizado pela fotografia digital cada vez mais os detalhes são importantes. Não basta oferecer boas imagens, já que isso não é um diferencial, mas sim uma obrigação do fotógrafo. É preciso oferecer algo mais. Normalmente a primeira coisa que passa pela cabeça do fotógrafo é oferecer um “preço mais competitivo”. Isso acaba levando a uma guerra entre orçamentos onde não raramente o vencedor sai perdendo por ter que pagar para trabalhar.

Mas existe uma outra coisa que você pode oferecer ao seu cliente que pode valer tanto ou mais do que o dinheiro: Chama-se tranqüilidade. Acredite: num mercado onde as pessoas acumulam várias funções, tem que responder simultaneamente em diversas frentes e sempre terminam o dia com a sensação de que não cumpriram com todas as suas tarefas, vender tranqüilidade vale ouro!

Um bom cliente não vai se importar de pagar um pouco mais pelos seus trabalhos se souber que as fotos serão entregues dentro do previsto, com qualidade sem transtornos, aborrecimentos ou perda de tempo. Isso não é tão fácil quanto pode parecer a primeira vista, mas investir num fluxo de trabalho suave e macio é uma questão de sobrevivência!

PS: O jeito correto de cortar as unhas dos pés para longas caminhadas é de forma reta e nunca com os cantos arredondados.


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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

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