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Mar
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Fotografia digital é coisa do passado!

Não acho saudável comparar a fotografia analógica com a digital em termos de “ou uma ou outra.” Afinal cada processo tem seus valores, mas também suas limitações e problemas.

Contudo acho importante ter em mente que se por um lado o digital nos trouxe inúmeros benefícios, também carrega em si algumas armadilhas. Acredito ser extremamente saudável para qualquer fotógrafo conhecer e praticar a fotografia com filmes, mesmo que ela não seja a sua ferramenta principal. Fotografar com película nos permite lançar um olhar mais crítico sobre o processo digital e entender o real impacto que essa tecnologia carrega.

Vejo em muitos alunos que estão começando agora e que não passaram pela experiência do uso do filme uma série de dificuldades recorrentes. E se a fotografia digital nos permite explorar e experimentar de forma mais intensa o fato é que poucos fazem isso.

A avalanche tecnológica que soterrou a fotografia na última década trouxe como um de seus efeitos colaterais um deslumbre que associa o moderno, o mais caro e o mais recente como sendo o único caminho possível para a qualidade. Claro que isso sempre existiu, mas a ditadura do mercado digital exacerbou muitíssimo esta questão. De um modo geral o fotógrafo hoje está mais preocupado com a ferramenta que vai usar para contar uma história do que com a sua história propriamente dita. Se pensarmos em outras artes que utilizam ferramentas de expressão de tecnologia mais baixa, como a poesia ou a pintura, seria como achar que a caneta ou o pincel são os elementos mais importantes para o processo criativo do autor.

Nossa sociedade desenvolveu uma cultura pelo novo, pelo descartável e pelo status do “ter” em detrimento do “ser”. Mas hoje começamos a perceber que essa imposição de mercado (que assola a fotografia como qualquer outro aspecto de nossas vidas) está nos levando a uma condição insustentável sobre o planeta e que chega inclusive a por em xeque nossa sobrevivência como espécie.

Questionar isso não é ser saudosista, muito menos ter uma resistência ao novo. Aliás, resistência ao novo é engolir sem questionar que a sua fotografia só terá valor o dia em que você dispor do seu suado dinheirinho para comprar a câmera modelo XYZ de N zilhões de megapixels.

Fico extremamente feliz quando vejo movimentos como a Lomografia e quando leio notícias como o relançamento da Polaroid. Há espaço para todos e quanto mais ferramentas tivermos a nossa disposição, mais modos teremos de contar nossas histórias e de nos encantar com a pluralidade de nossa humanidade.


1 Response to “Fotografia digital é coisa do passado!”


  1. 28/03/2010 às 18:02

    Excelente reflexao!!!!!!!!
    sempre me pergunto: “o que eu quero escrever com a luz?”

    super abraço


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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

Imagens do Brasil


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