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Jul
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Como montar um orçamento fotográfico

Uma das dúvidas mais freqüentes para quem está começando a encarar a fotografia como uma profissão é como cobrar pelo seu trabalho. Afinal de contas quanto vale o trabalho de um fotógrafo?

Um dos caminhos mais usuais para se estabelecer um valor de trabalho é simplesmente dar uma olhada nos preços praticados pela concorrência e diminuir um pouquinho esse valor na intenção de torná-lo mais atrativo para o cliente. Isso acaba acarretando uma “guerra para baixo” que prejudica a todos. Ok… Uma das funções da concorrência é justamente criar um patamar de preços, mas o ideal é que isso seja feito através da eficiência e não no corte indiscriminado dos lucros, pois o resultado disso é apenas um: Tem muito fotógrafo por aí pagando para trabalhar…

Então como elaborar um orçamento realista? O primeiro passo para saber quanto cobrar pelo trabalho é saber quanto custa esse trabalho para você. Então mãos à obra para determinar quanto você gasta por mês para poder trabalhar:

Custos fixos e custos variáveis:

Podemos agrupar nossos custos em dois grandes blocos: Fixos e variáveis. No primeiro grupo estão aqueles que você tem que desembolsar todo mês independente do volume do seu trabalho. Alguns exemplos:

– Aluguel (Se você tem um estúdio ou escritório)

– Internet

– INSS (Contribuição Previdenciária)

– Tarifas bancárias

-Seguros (Imóvel, veículo e equipamento)

– Faxineira

Já os custos variáveis são aqueles que são alterados pelo volume de trabalho, como por exemplo:

– Energia Elétrica

– Telefonia

– Combustível (Se você utiliza seu veículo para atender seus clientes)

– Manutenção

– Insumos (papel para impressora, fundos fotográficos, etc.)

– Impostos (ISS, imposto de renda, etc.)

Para estabelecer e conhecer de forma realista os seus custos é preciso ter a disciplina de criar um livro caixa e anotar religiosamente os seus gastos. Isso não é uma coisa complicada: Para começar basta uma simples planilha eletrônica, que geralmente pode ser importada ou incorporada para um programa mais complexo, caso você venha a adotar algum no futuro.

O ideal é que você avalie os seus custos ao longo do ciclo de um ano para estabelecer uma projeção realista. Mas um período de 3 meses  já nos dá uma idéia razoável de quanto custa nosso trabalho.

De posse desses dados o passo seguinte é estabelecer o impacto dos custos fixos sobre o seu trabalho. Isso é simples: Basta somar o valor dos seus custos fixos mensais e dividir pelas suas horas de trabalho.

Por exemplo: Se você trabalhar 08 horas por dia durante 22 dias por mês então você trabalha 176 horas mensais. Se os seus custos fixos são de, por exemplo, R$ 3000,00 então o peso desses custos está em torno de R$ 17,00 por hora de trabalho.

08 x 22 = 176

3000 / 176 = 17

Já os custos variáveis precisam de um universo de dados um pouco maior para serem estabelecidos. Mas vamos supor que em 3 meses você realizou um total de 36 trabalhos (numa média de 3 por semana ou 12 por mês) e que esses trabalhos geraram um custo de R$ 1500,00/ mês

Então cada trabalho custou:

1500 / 12 = 125

Cada um dos 12 trabalhos mensais realizados então acrescentou um valor de R$ 125,00 aos seus custos. Como você passa 176 horas por mês a disposição desses trabalhos (atendendo ligações, preparando orçamentos, enviando e-mails, negociando com os clientes, etc…) então você pode diluir esse valor ao longo de todas as suas horas de trabalho:

1500 / 176 = 8,50 (valor arredondado)

Assim somando os seus custos fixos (17) e variáveis (8,50) então a sua hora de trabalho custa R$ 25,50 Em outras palavras é isso o que custa para você trabalhar por hora.

Perceba que:

– Os seus custos fixos diminuem quando você aumenta o número de trabalhos.

– Os seus custos variáveis aumentam com o aumento do número de trabalhos.

Para elaborar um orçamento é necessário calcular quantas das suas horas de trabalho serão destinadas a ele. Inclusive aquelas indiretamente relacionadas. No caso do nosso exemplo, supondo que todos os trabalhos fossem rigorosamente iguais (Por exemplo: Books fotográficos) cada um iria consumir 4,8 horas de trabalho.

Portanto o custo de cada um seria de:

25,50 x 4,8 = 122,40

Mas como muitas vezes os trabalhos envolvem cargas horárias diferentes é importante ter o valor da hora de trabalho sempre em mente para elaborar os orçamentos.

Estabelecidos os custos é hora de estabelecer os lucros:

Se você cobrar, por exemplo, R$ 350,00 para produzir um book então o seu lucro será de:

350 – 122,40 = 227,60

Os 12 trabalhos mensais que você realiza lhe proporcionam então um “salário” de R$ 2731,20 já descontados os impostos que foram diluídos como custos.

Custos dos quais muitas vezes nos esquecemos:

Na hora de estabelecer os seus custos é preciso considerar alguns fatores que muitas vezes nos esquecemos:

  1. Depreciação do equipamento: Câmeras digitais sofrem uma depreciação muito grande e tem uma vida útil relativamente curta. É preciso levar isso em consideração.
  2. Férias: Se você trabalha como autônomo e pretende descansar em algum momento é bom lembrar de computar isso como custo.
  3. 13° Salário: O mesmo princípio das férias deve ser aplicado a esse item. Assim se os seus rendimentos são de R$ 2731,20 a cada um dos 12 meses do ano você deve imbutir R$ 227,60 como custo fixo referente ao seu 13º. Isso não é luxo, principalmente se você se lembrar das contas extras que ocorrem em todo começo de ano como IPVA e IPTU.
  4. Cursos de atualização e formação. A finalidade deles é que você atenda cada vez melhor o seu cliente, então é justo dividir a conta com ele não é mesmo?
  5. Plano de saúde: Você trabalha doente?
  6. Caixa reserva para eventualidades: Uma coisa é certa: Merda sempre acontece!

5 Responses to “Como montar um orçamento fotográfico”


  1. 29/07/2011 às 13:05

    Muito útil, muito bem escrito, fácil de entender.
    Grandes dicas!

  2. 3 Graziela
    29/07/2011 às 21:32

    Olá Fer, lembro que uma vez eu perguntei a respeito de como cobrar as fotos e vc foi me falando, falando…mas no fim é meio difícil lembrar de tudo, e depois fazendo as contas por aqui acabei me “embananando” toda. Agora fiquei mto feliz que vc acabou escrevendo tudo detalhadamente…só tenho a lhe agradecer! Obrigada! (parece q vc adivinha tudo, hein!). Bjs, Grazi

  3. 4 Eliane Miranda
    07/08/2011 às 12:13

    Isto é tudo do que eu precisava. Parabéns! Comentário claro e objetivo.


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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

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