03
Jan
13

Sua exelência, o cromo

  Para quem nunca foi apresentado, cromos, diapositivos, slides, positivos ou filmes E6 são diversos nomes usados para designar um mesmo tipo de mídia: Filmes fotográficos de alto desempenho que dominavam a fotografia profissional antes do surgimento das câmeras digitais.

E se por um lado a fotografia digital firmou-se por sua agilidade, praticidade e segurança, para muitos fotógrafos o bom e velho cromo ainda mantém certas características de qualidade imbatíveis. Sem contar que os membros da tribo – cada vez maior – que (re)descobriu a fotografia analógia através da lomografia mais cedo ou mais tarde acabam cedendo a tentação de carregar a câmera com um rolinho de cromo.

Mas afinal de contas que características são essas que seduzem tantos fotógrafos, em especial no segmento de fine-art?

A questão da qualidade técnica de uma imagem  vem sendo nos últimos anos reduzida erroneamente a quantidade de megapixels que uma câmera pode gerar. Isso é muito bom para a indústria de câmeras que induz o consumidor a acreditar que uma câmera de 12Mp é necessariamente superior a uma de 6Mp.  Mas a principal diferença entre uma e outra é o tamanho da ampliação final que podemos fazer, não a qualidade em si. Aliás espremer uma quantidade maior de pixels em um sensor provoca “efeitos colaterais” indesejáveis como o medonho ruído digital e consequante perda de desempenho em ISOs  elevados. Isso significa – na prática – que uma câmera de 6MPp pode ter um desempenho superior a uma de 12Mp, exatamente o contrário do que a indústria nos leva a pensar. E isso é especialmente válido no segmento das câmeras compactas. Mas mesmo se pensarmos apenas em termos de megapixels um cromo de 35mm apresenta uma resolução de aproximadamente 25Mp podendo chegar a 40Mp, dependendo da forma como for digitalizado.  O mesmo cromo em médio formato pode variar entre 50 e 100MP e em grande formato atingir os 300Mp. E sem efeitos colaterais provocados pelo ruído digital.

Tamanho do sensor: Sensores digitais maiores produzem resultados melhores pois a imagem resultante precisa ser menos ampliada. Só que sensores grandes são caros de serem produzidos e por isso a maioria das câmeras DSLR no mercado utilizam sensores 1,5 vezes menores que os sensores das câmeras top de linha (as chamadas full frames) . Mas o detalhe é que uma câmera full frame é projetada para ter um sensor do mesmo tamanho de um filme de 35mm. Só que a câmera analógica tem um preço muito, muito menor.

Dynamic-range: Talvez aqui resida o principal trunfo do filme cromo: Sua capacidade de reproduzir detalhes nas altas e baixas luzes mais ricos do que as câmeras digitais.

Escala tonal: A escala tonal de uma imagem está relacionada com a sensação de volume. O que diferencia a imagem de um circulo branco da imagem de uma esfera branca? É justamente a suave variação de tons que confere a esfera a sensação de volume. E o cromo reproduz uma escala tonal mais rica do que os sensores digitais. Graças a isso a sensação de profundidade é maior no filme e mais “chapada” na imagem digital.

Edição simplificada: Ainda não inventaram um monitor e um software de edição tão simples e eficiente para visualizar 20 ou 30 imagens simultaneamente como em uma mesa de luz com uma lupa.

Envolvimento: Cromos requerem atenção especial no ato de fotografar, pois embora maravilhosos, são muito menos tolerantes a erros de exposição. E não é possível voltar atrás e simplesmente apagar uma imagem ruim. Isso nos leva a pensar melhor a imagem antes de apertar o disparador.

Grão: Ao contrário do incômodo ruído digital, o grão do filme tem uma característica orgânica que o torna agradável e até mesmo desejável em algumas situações. Para muitos fotógrafos – especialmente aqueles que se dedicam a fotografia PB – só este argumento já é suficiente para eleger o filme como primeira opção.

Claro que o universo da fotografia digital abriu novas possibilidades e provocou uma mudança sem volta no cotidiano dos profissionais de imagem a mais de uma década. Mas o digital não substitui o analógico: Ele o complementa. E qualquer fotógrafo sério deve conhecer e usufruir de maneira crítica do que os dois mundos tem a oferecer.


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Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

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