Posts Tagged ‘Arte

14
Mar
15

História da Foto: Maré ao Luar

Imagens noturnas e suas consequentes longas exposições podem gerar resultados bem interessantes.

A imagem abaixo está saindo do forno após uns dias na estação ecológica da Juréia-Itatins, no litoral sul de São Paulo, e foi feita com um tempo de exposição de um minuto e meio, utilizando uma objetiva de 50mm (ah… a boa e velha cinquentinha…), abertura de f5.6 e ISO 640

Um tripé é fundamental para longas exposições e para tempos superiores a 30 segundos é necessário um disparador com trava. Tudo que estava em movimento – no caso as nuvens e as ondas – foi borrado pela longa exposição e apenas a rocha aparece nítida na imagem. A iluminação foi cortesia de uma linda lua cheia que gerou essa luz difusa e etéria.

Pode não parecer, mas essa imagem foi feita por volta das nove da noite! Legal né?

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20
Nov
13

O gato fotógrafo

Quando meus alunos chegam ao curso de fotografia trazem um universo de questões para as quais afobadamente querem respostas. Em suas cabeças rodam fantasminhas que vão desde palavras como velocidade e abertura a termos misteriosos como sRGB e Adobe RGB. Eles se preocupam tremendamente com a escolha do equipamento, com o desempenho de sensores e coisas como quantidade de pontos de foco.

Claro que a câmera e a técnica envolvida no seu manuseio é importante para um fotógrafo, mas a verdade é que isso é apenas uma pequena parte do universo fotográfico. Imagine uma pessoa que decida fazer uma caminhada: Ela pesquisa tudo sobre o melhor calçado possível, lê tudo o que encontra no Google sobre solas e cadarços, mas esquece de pesquisar sobre seu destino. De posse da melhor bota de caminhada do mundo é bem possível que essa pessoa – com alguma frustração – simplesmente não saiba para onde ir, não extraia nem a milésima parte do que aquele calçado poderia lhe proporcionar e acaba por utilizar suas super botas para ir buscar pão na padaria da esquina.

Oras! Mais importante do que o sapato é o pé! Até porque a humanidade caminhou descalça por milênios não é mesmo? E conseguimos, bem ou mal, chegar até aqui… E agora preste muita atenção: Mais importante do que o pé é o caminho.

E onde entra a fotografia nessa história sobre pés, caminhos e caminhadas? Quando pergunto a um jovem fotógrafo não como, mas porquê fotografar isso frequentemente resulta em um nó mental. Ok: Caminho é algo que se constrói ao caminhar, mas é preciso algum norte, algum rumo É preciso ter uma história para contar, criar significâncias e dessignificâncias antes, durante e depois de sair por aí apertando o disparador da câmera. É assim que se dá alma a fotografia, a sua alma. Isso será muito mais relevante para a qualidade da sua fotografia do que o fato de usar uma câmera equipada com o recurso da última coqueluche inventada pelo mercado.

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Antes de aprender a fotografar é preciso aprender a ver. Vivemos a contradição de sermos bombardeados diariamente por milhares de imagens numa sociedade de analfabetos visuais. É fácil definir a fotografia como “escrever com luz”, mas escrever o quê? Que imagens do mundo você quer contar? Como e para quem você quer contar? E o mais importante: Por que contar?

Se me perguntarem hoje qual o segredo para produzir boas imagens tenho uma receitinha infalível pronta (E é incrível como as pessoas adoram receitinhas infalíveis prontas!) Aproveite e anote pois levei quase duas décadas fotografando para descobrir isso:

1 – Arranje um gato. Pode ser qualquer gato, mas os vira-latas tendem a funcionar melhor.

2- Esqueça um pouco da sua câmera e fique apenas observando o gato por algumas semanas.

3 – Fotografe como o gato vê o mundo.

Fica a charada para quem estiver disposto a ver o mundo com outros olhos.

05
Nov
13

Imagens dos Sentidos

Ok: Confesso que entrei na sala de aula um tanto quanto assustado. E para ser sincero passei boa parte da noite anterior de olhos bem abertos pensando no que iria acontecer. Afinal em duas décadas com uma câmera na mão esse seria o desafio mais diferente que iria enfrentar.

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A ideia de oferecer uma oficina de fotografia para deficientes visuais começou a tomar forma quando entrei em contato com um trabalho realizado pela Samsung em uma escola para crianças cegas na Coréia. Comprei a ideia e a vendi para Martha, minha coordenadora no SENAC, que topou o desafio e me deu carta branca para montar o projeto.

A primeira e aparentemente mais óbvia questão com que me deparei foi:  Afinal como alguém que não dispõe do sentido da visão pode registrar imagens? As pistas para responder a isso começaram a pipocar da minha própria relação com o registro fotográfico e também das frustrações narradas por meus alunos do curso de introdução à fotografia.

E é bem possível que você – em algum momento – tenha partilhado de uma frustração semelhante a nossa. Imagine a seguinte cena: Você está em uma linda praia em um dia perfeito de sol. O calor é varrido da superfície da sua pele suavemente por uma brisa que carrega o perfume do mar. Seus pés são massageados pelo contato com a areia macia enquanto você caminha escutando o canto das aves que se sobrepõe ao contínuo ruído das ondas ao fundo e um quase imperceptível gosto de sal chega em seus lábios carregado pela maresia. E então você decide fazer um registro desse momento em uma foto.

Mas ao voltar para casa disposto a compartilhar com os amigos aquele momento postando a tal foto nos Facebooks da vida percebe que a  fotografia não vai além de um pálido esboço daquilo que você vivenciou durante sua caminhada pela areia da praia. E mesmo recorrendo a toda a galeria de filtros do Instagram a foto continua pobre e você começa a cogitar a hipótese de comprar (verbo maldito!) uma câmera nova que faça jus as imagens registradas em sua memória.

Mas antes de sair por aí torrando seu suado dinheirinho em uma câmera nova que – segundo a propaganda do fabricante – irá resolver todos os seus problemas e mais alguns, sente-se para receber esta triste notícia: Câmera nenhuma na face da Terra é capaz de registrar outra coisa do que a luz refletida pelos objetos para os quais foi apontada. E é só e somente isso que qualquer câmera é capaz de fazer.

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Por outro lado nosso cérebro trabalha de maneira bem mais complexa. As imagens que construímos do mundo ao nosso redor são montadas em nossa mente não só pelas informações captadas por nossos olhos, mas também por todos nossos outros sentidos, além de vivências, memórias e sentimentos. Todo esse conjunto sensorial trabalha em sinergia fornecendo os tijolinhos usados na construção daquilo que nossa mente só torna visível dentro de cada um de nós. E mesmo nossos olhos não são tão eficientes assim na formação de imagens: Tirando uma pequena área do centro de nosso campo de visão, todo o complexo quadro que enxergamos é mais baseado em suposições criadas por nosso cérebro do que por “dados coletados” por nosso mecanismo óptico. Mágicos e ilusionistas sabem disso a séculos e nos deixam maravilhados ao criarem armadilhas em que nossos pobres cérebros caem como patinhos.

E se a formação das imagens que percebemos é resultado de uma complexa coleta de dados vindos de todos os sentidos e processadas com base em nossas memórias e sentimentos, então mesmo quando tiramos a visão dessa equação ainda é possível preencher as informações necessárias para que nossas mentes criem uma imagem do que está ao nosso redor com base nos demais sentidos. Na prática funciona assim:

Tive anos atrás um gato vesgo chamado Clarence. Ele tinha a cabeça e o rabo escuros, bem como duas grandes manchas arredondadas no dorso e o restante do corpo branco. As vezes eu ficava lendo na varanda e Clarence vinha deitar ao meu lado no sol. Me divertia fechando os olhos e deslizando minha mão sobre seu pelo sentindo a diferença de temperatura entre o pelo claro e as manchas escuras que absorviam mais calor. Era bem fácil perceber o padrão da pelagem apenas pela variação da temperatura. Experimente em casa fazer algumas imagens de olhos vendados e você verá que seus demais sentidos podem fornecer uma percepção bem rica do que está ao seu redor.

Foi baseado nessa constatação de que percebemos imagens através de todos os nossos sentidos que comecei a dar corpo a oficina “Imagens dos Sentidos”.

E apesar do medo aprendi muito com essa minha primeira turma de alunos:

Descobri, por exemplo, que smartphones são perfeitos para serem usados pelos deficientes visuais para fotografar, pois programas de orientação por voz facilitam bastante o acesso e controle da câmera. Um software para Iphone chamado “Voice Over” em especial chamou bastante minha atenção. Ele não só fornece instruções audíveis para a regulagem da câmera, mas também orienta o enquadramento e até mesmo a posterior edição das imagens informando ao usuário se as fotos exibidas na galeria, estão tremidas, desfocadas ou com problemas de exposição.

O próximo passo será imprimir as imagens em algum sistema tridimensional para que seus autores possam também apreciar seus trabalhos. Isso pode ser feito através de impressoras 3D, impressoras para Braille ou mesmo através de cópias fotográficas tradicionais com os contornos das formas pontilhadas com uma agulha.

Agradeço aos meus alunos pelo aprendizado que me proporcionaram e por terem mandado o medo do escuro para longe de mim.

19
Jun
13

Entrevista com Fernando Fernandes

Entrevista realizada por André Lima com o fotógrafo Fernando Fernandes sobre fotografia fine art e processo criativo.

14
Jun
11

Contatos com a arte no mam

03
Jun
11

oficina com nair benedicto no mam

16
Maio
11

encontros na pinacoteca




Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

Imagens da América do Sul

Imagens do Brasil