Posts Tagged ‘noturna

14
Mar
15

História da Foto: Maré ao Luar

Imagens noturnas e suas consequentes longas exposições podem gerar resultados bem interessantes.

A imagem abaixo está saindo do forno após uns dias na estação ecológica da Juréia-Itatins, no litoral sul de São Paulo, e foi feita com um tempo de exposição de um minuto e meio, utilizando uma objetiva de 50mm (ah… a boa e velha cinquentinha…), abertura de f5.6 e ISO 640

Um tripé é fundamental para longas exposições e para tempos superiores a 30 segundos é necessário um disparador com trava. Tudo que estava em movimento – no caso as nuvens e as ondas – foi borrado pela longa exposição e apenas a rocha aparece nítida na imagem. A iluminação foi cortesia de uma linda lua cheia que gerou essa luz difusa e etéria.

Pode não parecer, mas essa imagem foi feita por volta das nove da noite! Legal né?

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14
Set
10

O defeito especial

 Num sábado de tarde eu estava de bobeira na agência criando coragem para começar uma faxina no estúdio quando o Tiago Queiroz do Estadão apareceu na porta com um convite: “Bora fotografar lá no Parque do Trote na Vila Guilherme? Eles reabriram depois de 10 anos fechados”.

As opções eram encarar a faxinosa ou acompanhar o Tiago em um trabalho que ela começou quando o hipódromo da Vila Guilherme, já decadente, foi fechado uma década antes.

Em 2004 teve início um processo de tombamento da área como patrimônio ambiental, cultural e urbano da cidade.  Em 2006 a área do hipódromo foi transformada em parque especialmente pensado para pessoas deficientes e no projeto está previsto inclusive a construção de um centro de recuperação.  Mas por enquanto o parque existe mais no papel do que no mundo real.

Naquele sábado estava acontecendo no local a XIV Festa da Cultura Paulista Tradicional o que prometia um grande cardápio fotográfico para nós. Mas o ponto alto seria uma corrida de demonstração da sociedade de trote. Nessa modalidade os cavalos não são montados, mas conduzidos em uma espécie de charrete e a principal característica é o estilo da marcha do animal (a maioria da raça American Trotte importados da Argentina) onde parece ser mais importante a cadência e o ritmo do animal do que a sua força e velocidade.

Infelizmente quando a corrida de apenas duas voltas foi anunciada já estava anoitecendo e a iluminação capenga e danificada da pista abandonada por anos não prometia ser de grande ajuda.

As condições não eram animadoras: Fotografar um motivo em alta velocidade em uma cena com pouca luz e sem muitas chances de repetir a tomada. Não tem ISO alto e lente clara que resolva! Optei então por assumir que a imagem sairia borrada e decidi utilizar a técnica de panning que consiste em mover a câmera com uma velocidade de obturador baixa no mesmo sentido em que o objeto fotografado se move.

A idéia é que ao mover a câmera junto com o objeto, na verdade o objeto estará parado em relação à câmera o que permite o seu registro com uma nitidez razoável enquanto o fundo (que estará se movendo) gera um desfoque que realça a idéia de velocidade.

Isso é o que costumamos chamar brincando de “defeito especial” que consiste em transformar (ou ao menos tentar transformar!) uma limitação em uma vantagem para valorizar uma imagem tecnicamente difícil de ser realizada.

Ficha da foto:

– Camera: Nikon D-700

– ISO: 3200

– Lente: Nikon 24-85mm f2.8 em 56mm

– Velocidade: 1/20s.

Quem quiser ver as imagens feitas pelo Tiago e conhecer um pouco mais do seu trabalho como fotojornalista visite o blog http://www.cenasdodia.blogspot.com/

Vale à pena!




Sobre o Autor:

Fotojornalista com trabalhos publicados em alguns dos principais jornais e revistas nacionais, tais como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Istoé, entre outros.

Atualmente dirige a Agência Fotográfica Lunapress e também é docente do SENAC lecionando fotografia na unidade Jundiaí.

Colabora com diversos bancos de imagens internacionais com destaque para a iStockphotos e a Getty Image para os quais fornece principalmente imagens sobre a América Latina.

Fotografou para diversos veículos institucionais e é responsável pelo desenvolvimento da tecnologia de fotografia em “hight-speed” adotada pela Faculdade de Engenharia de Minas da USP para registrar o comportamento de partículas em reatores de flotação.

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